Mediocridade? Não!!!

Por Gustavo G. Boog


Como transformar nossos potenciais em realidade? Como transformar intenções de realização em metas concretas? Como manter a motivação ao longo do caminho? Estas perguntas ficam na cabeça de muitos de nós, e a “realidade” do dia-a-dia faz com que teimemos em não utilizar plenamente nossas potencialidades, mantendo nossos objetivos apenas como sonhos. E isto vale para cada um de nós individualmente, para nossos grupos e organizações como um todo.

Nas empresas de alto padrão, os líderes buscam criar condições para que suas equipes usem plenamente seus potenciais, muitas vezes escondidos e sub-utilizados, estimulando-os a usarem mais aquilo que tem dentro de si (este processo às vezes falha com alguns). Nas organizações doentes, os “chefes” (que não estão agindo como líderes) estão sempre buscando formas para diminuir ou mesmo destruir potenciais, para que não tenham espaço de manifestação, pois isto poderia ameaçar os edifícios de poder construídos com tanto sacrifício. E assim se mantém os feudos e se perpetua a mediocridade.

Utilizar plenamente nossos potenciais é a chave para a sobrevivência pessoal e profissional nesta época de tantas transições. Apenas quando acessamos nossos potenciais temos a flexibilidade de mudar e transformar. Pessoas e equipes com acesso ao potencial pleno são o recurso empresarial mais poderoso para sobreviver e crescer num mercado cada mais competitivo.

Utilizar nossos potenciais está ligado ao nosso poder pessoal e à realização de nossos propósitos de vida. É interessante verificarmos que potencial está ligado aos nomes potência (vigor, força, poderio, faculdade da alma, autoridade, pessoa muito importante, capacidade de realizar) e potentado (príncipe soberano de grande autoridade ou poder material, pessoa muito influente ou poderosa).

Quando, no início de cada ciclo definimos nossos sonhos, intenções e metas e proferimos nossos compromissos solenes daquilo que queremos realizar, estamos nos conectando aos nossos potenciais. Quando fazemos esta ligação, possibilitamos às nossas pessoas manifestar aquilo que sabemos que é bom para nós, o que nos fará felizes. Mas...

O tempo passa, as semanas vão se enfileirando, e estes compromissos com nossos potenciais vão sendo esquecidos, vão se esmaecendo e tendem a se tornar uma pálida lembrança do que nós poderíamos ser. E nós somos campeões em achar motivos e justificativas que expliquem porque abandonamos certas metas, porque desistimos de realizar algo ou porque fizemos as coisas num ritmo muito abaixo do que desejaríamos. Sempre que deixamos de realizar nossos potenciais, ficamos com a amarga sensação da impotência ou da mediocridade. É a constatação que ficamos “no meio”.

Como sair desta armadilha? Para concretizarmos nossos potenciais, precisamos de uma habilidade fundamental de nossa alma, a coragem.

Eu adoro os textos que Tom Heuerman, Ph.D. me envia regularmente (sugiro que visite o site dele www.amorenaturalway.com ). Tom escreve muito sobre liderança, e cita Aristóteles: “a coragem é a primeira das virtudes humanas, pois ela faz com as outras virtudes possam ser possíveis”. Outra citação (de Peter Koestenbaum): “a coragem começa com a decisão de enfrentar a verdade última de nossa existência: nós vivemos livres para definirmos a nós mesmos a cada momento. Nós nos tornamos naquilo que escolhemos ser, do fundo de nossas almas”.

Em nosso Boog News 51, do ano passado, colocamos como características do “ser corajoso”: partir para a ação/ ter auto-controle/ saber quando parar/ contestar/ decidir/ ser determinado e não abandonar/ tenacidade/ falar/ força de vontade/ ter bom ritmo de trabalho/ saber estabelecer limites/ dizer “não”/ comunicar-se/ falar/ persuadir/ sensatez/ concentrar-se e manter foco/ independência. Creio que esta lista nos ajuda a identificar melhor o nosso perfil pessoal de coragem.

Devemos reconhecer que sermos corajosos e exercermos nossos potenciais com maior vigor é difícil. Muitos tem a tendência de criar limitações que de fato não existem a não ser neles mesmos, e com isto reduzem suas metas e “zeram” a criatividade. Diz Tom que “muitos escolhem a mediocridade em troca da ilusão da segurança, vivendo marginalmente como robôs e zumbis dentro das organizações”. Citando Parker Palmer: “as pessoas que encontram a coragem de parar de viver vidas divididas, o fizeram quando entenderam que nenhum terror ou punição que outros possam aplicar pode ser pior que a punição que eles aplicam a si mesmos ao conspirarem pela própria diminuição de seus potenciais. A ansiedade e a liberdade vão juntas. Nós aceitamos o medo e o superamos se quisermos ser livres, se quisermos utilizar mais plenamente nossos potenciais”.

“Os líderes podem escolher criar organizações baseadas na coragem, que abracem as mudanças, honrem a diversidade e valorizem a responsabilidade e a prestação de contas na busca de um futuro sustentável. Os líderes podem também escolher viver no medo, permanecer medíocres, retirar-se defensivamente, exigir conformidade e recompensar a irresponsabilidade, à medida que eles aceitam isto como inevitável”

A opção pelo potencial ao invés da mediocridade não é garantia absoluta de resultados. Esta geralmente é uma escolha silenciosa e solitária, quando nos sintonizamos na pequena voz interior que nos diz: vá em frente, você é capaz!. Ao escolhermos viver nossos potenciais teremos uma conta a pagar, teremos muitas pedras neste caminho, mas teremos o retorno de estarmos realmente vivos.


Gustavo G. Boog é Diretor da Boog & Associados. Consultor e Terapeuta Organizacional, conduz projetos de desenvolvimento e energização de pessoas e equipes. Autor de diversos livros, sendo o seu último o "Faça a Diferença!", Editora Gente/Infinito.


Extraído com autorização do site: Venda Mais - www.vendamais.com.br
Publicado em 02/02/2002


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