Os novos negócios
Por
Rosane Severo
Vivemos um momento de incertezas geradas pela acomodação natural do mercado
a um novo contexto econômico. Mesmo assim, acredito que vivemos uma revolução
que fará surgir uma nova sociedade onde o conhecimento será seu principal recurso
e os trabalhadores do conhecimento constituirão o grupo dominante na força de
trabalho. Principal ferramenta dessa nova era, a tecnologia da informação e
a Internet revolucionam a comunicação e a maneira de fazer negócios, mas não
tem, nem nunca tiveram, o poder de virar tudo de cabeça para baixo. Quebrar
paradigmas sim, subverter o conhecimento histórico e a sabedoria do passado
jamais. Como tudo que é novo, este processo iniciou de forma intuitiva, impulsiva
até, mas com o baixar da poeira da euforia, fica a certeza de é preciso aprender
a usar as facilidades que a Revolução do Conhecimento nos propicia, sem perder
de vista os fundamentos básicos de economia e administração.
Ao traçar um paralelo com a fase inicial da Revolução Industrial, como fez Alvin
Toffler, constataremos que naquele período milhares de empresas novas fracassaram,
assim como tantas empresas atuais - chamadas de puro sangue Internet. Isso ocorreu,
em ambos os casos, porque tinham modelos de negócios errados. Todas as suas
energias e todo o seu otimismo foram mal direcionados e poucos tinham noção
de como operar no ambiente emergente. As empresas tinham de reinventar tudo.
Na época, como hoje, os mercados ficaram tumultuados e muitos investidores perderam
dinheiro, enquanto o coro cantava o refrão: eu não disse? Imaginar que a Nova
Economia nunca existiu ou nasceu morta é o equivalente a acreditar, lá no início
do século XIX, que a Revolução Industrial teria acabado, porque os fabricantes
de têxteis estavam falindo em Manchester.
As baixas das empresas pontocom, provocadas pela acomodação sempre decorrente
de uma revolução, podem servir de modelo para os negócios tradicionais adequarem-se
à nova realidade, aproveitando a chance de aprender com os erros cometidos.
É consenso, entre os analistas, que as empresas que estão destinadas a crescer
na próxima década são aquelas que hoje estão buscando maneiras de integrar a
tecnologia da informação e a Internet aos seus modelos de negócios. Nos próximos
anos, investimentos bem feitos nessas áreas serão a arma mais poderosa no aprimoramento
da performance de qualquer companhia.
Nos novos negócios, surgidos com a era digital, a concorrência não vem apenas
dos concorrentes - vem de todos os cantos. Quando a informação se torna digital
e interligada em rede, como vemos hoje, não há mais limites e nenhum negócio
é isolado dos demais. Na antiga economia, o fluxo de informações era físico:
dinheiro, cheques, faturas, conhecimento de carga, relatórios, reuniões face
a face, chamadas por telefones analógicos ou transmissões por rádio e televisão,
plantas, mapas, fotografias, partituras e propagandas via mala direta.
Na nova economia, a informação em todas as suas formas tornou-se digital - reduzida
a bits armazenados em computadores e correndo na velocidade da luz por redes,
criando um novo mundo de possibilidades que é tão significativo quando a invenção
da própria linguagem - o antigo paradigma em que ocorriam todas as interações
físicas.
Na era da inteligência em rede, silício, microprocessadores e estradas de fibra,
tão finas quanto um fio de cabelo, estão possibilitando que seres humanos de
todo o planeta apliquem seu know-how a cada aspecto da produção e da vida econômica.
Esta é uma era de interligação em rede não apenas da tecnologia, mas também
de seres humanos, organizações e sociedades.
A inovação, mais do que o acesso a recursos, instalações e capital, é o que
mais conta. Os clientes mudaram e hoje pensam que as empresas têm de proporcionar
a melhor qualidade, produtos ecológicos, rapidez, o menor preço, o melhor serviço
e assegurar a responsabilidade social - para citar apenas alguns pontos.
Assim como o mundo geopolítico bipolar se desintegrou, abrindo espaço para um
ambiente novo, dinâmico, volátil e global, as barreiras econômicas também estão
caindo. Este fenômeno está relacionado à ascensão da nova economia. Conforme
afirma Peter Drucker: "o conhecimento não conhece fronteiras". Não existe conhecimento
doméstico, nem conhecimento internacional. Com o conhecimento tornando-se o
recurso-chave, existe uma nova forma de fazer negócios em âmbito mundial e isso
leva, necessariamente, à reformulação da estrutura organizacional dos negócios.
Rosane
Severo, Publicitária, pós-graduada em marketing e especializada em
webmarketing. Possui mais de 12 anos de experiência na coordenação e direção
de produção de projetos audiovisuais (filmes e vídeos) no Rio Grande do
Sul e Rio de Janeiro. Participou da criação, planejamento e atuou também
na coordenação do desenvolvimento de diversos projetos de marketing direto
nas áreas de: negócios, moda, cultura, esporte, saúde, educação e desenvolvimento
comunitário. Hoje, além dos artigos que escreve para a grande rede, atua
também como consultora de Marketing Estratégico, Analista de Negócios,
Editora de Conteúdo e Coordenadora de Projetos Internet.
www.rgsevero.com.br
- rosane@rgsevero.com.br
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