Passando a usar a internet nos negócios
Por
Rosane Severo
A tecnologia web pode ser sedutora. É relativamente simples implantar um servidor
de Rede, gerar alguns gráficos chamativos e, bingo, você tem uma versão online
das principais operações da empresa. Mas, na realidade, realizar uma entrada
bem sucedida de uma empresa no e-business é muito mais complicado que isso.
Não significa apenas desenvolver um website, mas sim rever o modelo empresarial
e adapta-lo a esse novo conceito de fazer negócios. Uma entrada mal planejada,
provavelmente não permitirá usufruir todas as oportunidades oferecidas pela
revolução digital e pode até ser o caminho para o desastre. O problema dessa
aproximação é que ela não enfoca o mais importante que é como o modelo empresarial
atual pode ser melhorado com vistas a tirar proveito das oportunidades oferecidas
pelo universo online. Por exemplo, uma empresa que possui centros de distribuição
regionais espalhados pelo país. Sem dúvida, a Internet poderá agilizar as comunicações
entre esses centros. Mas, pensar assim simplesmente pode negligenciar uma outra
alternativa: a de que a Internet pode tornar possível atender todo o país com
um número menor de centros de distribuição ou, até mesmo, eliminar a necessidade
desses centros regionais de distribuição. Sem falar que uma entrada mal planejada
no e-business poderá deixar o caminho aberto para que um concorrente desenvolva
uma estrutura mais eficiente.
Para adaptar um negócio ao e-business, primeiro será necessário desenvolver
um planejamento estratégico, que ofereça uma visão macro da estrada a ser percorrida.
Assim como nos já conhecidos planos de negócios, a estratégia de e-business
deve começar considerando a atual posição da empresa no mercado, suas forças
e fraquezas, produtos e canais de distribuição, a concorrência, o público alvo,
etc. Sem esquecer de considerar as oportunidades e desafios propostos pela Internet.
Trata-se de uma ferramenta com potencial para interagir diretamente com os clientes
e azeitar os canais de distribuição, mas que também oferece uma ameaça competitiva,
com o surgimento de novos concorrentes, que são fruto desse novo mercado.
O próximo passo será traçar um caminho para implementar essa estratégia, tendo
como ênfase primária oferecer uma experiência positiva aos clientes, parceiros
e a todos que interagem com o negócio, aproveitando a oportunidade para aprimorar
o negócio como um todo. É preciso, por exemplo, não permitir que apenas uma,
dentre as diversas unidades da empresa, faça esse trabalho, pois isso representará
o risco de que ela trabalhe exclusivamente para aperfeiçoar o seu próprio pedaço,
em lugar de trazer a revolução do e-business para a companhia inteira. Uma visão
macro do processo possibilitará detectar, inclusive, se as unidades do negócio
estão executando os mesmos procedimentos empresariais de forma ligeiramente
diferente. Corrigir isso permitirá uma economia em escala, como usar a mesma
tecnologia para executar de forma uniforme na companhia todos os processos de
vendas, inventário e atendimento ao consumidor. Aproveitar essas oportunidades
requererá uma visão macro do negócio, exigindo assim o envolvimento da alta
administração atuando como uma força integradora.
Por outro lado, é importante que o desenvolvimento de uma estratégia de e-business
não enfoque apenas as necessidades da cúpula ou de alguma unidade do negócio,
mas contemple a todos, baseando-se na experiência de todos os usuários do sistema,
sejam clientes, parceiros ou empregados. É fundamental segmentar a estratégia
com vistas a atender necessidades individuais de diferentes usuários. Por exemplo,
a área de Recursos Humanos de uma Intranet pode ser segmentada de forma que,
através de um mesmo sistema, os empregados possam obter informações sobre sua
situação na empresa e os profissionais do departamento de recursos humanos podem
obter outras informações mais complexas e sigilosas necessárias a realização
de seus trabalhos.
Personalização é freqüentemente a chave para prover uma excelente experiência
aos usuários de um website. Por exemplo, uma empresa que presta suporte a seus
clientes e desenvolve um website de primeira-geração, oferecendo um enorme volume
de informações sobre suporte técnico básico pode acabar fracassando, pois na
estará apta a atender rapidamente à crescente demanda dos clientes por atendimento
personalizado. A solução desse negócio esta justamente em desenvolver uma aproximação
mais personalizada, que oferecesse muito mais vantagens que o suporte técnico
tradicional. Assim quando o cliente chegasse a esse site em busca de suporte,
a empresa saberia quem é ele, os produtos que adquiriu, há quanto tempo é cliente,
os contatos que já fez com a empresa e que nível de serviços de suporte contratou,
possibilitando assim, uma interface customizada que atendesse às necessidades
individuais de cada cliente. Por exemplo, disponibilizar informações detalhadas
sobre a situação dos pedidos do cliente e boletins técnicos sobre o equipamento
que ele possui. Não podemos esquecer que é muito arriscado confiar apenas em
nossa própria percepção sobre as necessidades dos clientes. Uma aproximação
mais efetiva deve permitir que os clientes avaliem o site e o que ele oferece
e abrir espaço para que eles expressem sua opinião, para saber se o site satisfaz
às necessidades deles.
Outro ponto importante a ser considerado é que não importa o bom trabalho feito
no desenvolvimento de uma estratégia, ele vai estar ultrapassado em seis meses.
Por isso é tão importante desenvolver um site flexível, com arquitetura de escala,
que permitirá ao sistema utilizado adaptar-se facilmente ao futuro. Após um
ano online, não resta nenhuma dúvida de que a paisagem competitiva terá mudado:
o negócio pode ter incorporado uma nova empresa ou o contrário, novos concorrentes
podem surgir, ou o canal de distribuição pode ter mudado. O uso de padrões aberto
e de ferramentas standards pode contribuir no desenvolvimento de uma arquitetura
que veio para ficar. Sem esquecer de investigar a força financeira e a posição
de mercado das companhias que serão escolhidas para fornecer componentes. A
habilidade deles em oferecer suporte por muito tempo é tão importante quanto
o valor da tecnologia que oferecem.
Finalmente, uma parte crítica no desenvolvimento de uma estratégia de e-business
é o uso da tecnologia. Será criado um departamento interno especificamente para
manter o projeto de e-business? Caso sim, será necessário contratar um staff
qualificado em programação e na área editorial, além de montar um estúdio de
design gráfico, entre outras necessidades que surgirão. A outra alternativa
é terceirizar o desenvolvimento da tecnologia, através de um provedor de serviços
online, que hospedará a infra-estrutura e manterá as aplicações necessárias
ao projeto. Esse formato tem a vantagem de permitir enfocar na essência das
operações empresariais e transferir os desafios de tecnologia para um especialista.
Seja qual for a aproximação escolhida, será necessário desenvolver uma estratégia
que tire proveito das mudanças forjadas pela revolução do e-business, pois isso
aumentará as chances de sucesso do projeto.
Rosane Severo, Publicitária, pós-graduada em marketing
e especializada em webmarketing. Possui mais de 12 anos de experiência
na coordenação e direção de produção de projetos audiovisuais (filmes
e vídeos) no Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Participou da criação,
planejamento e atuou também na coordenação do desenvolvimento de diversos
projetos de marketing direto nas áreas de: negócios, moda, cultura, esporte,
saúde, educação e desenvolvimento comunitário. Hoje, além dos artigos
que escreve para a grande rede, atua também como consultora de Marketing
Estratégico, Analista de Negócios, Editora de Conteúdo e Coordenadora
de Projetos Internet.
www.rgsevero.com.br
- rosane@rgsevero.com.br
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